
Sarcófago rosado
Data 03/09/2017 02:43:38 | Tópico: Poemas
| Epicurista, viu-se, aos vícios, cair Na plúmbea jusante da ilusão E deste incerto planar verá fluir, Desditas certas, olvidadas então.
Porvir, pântano que consome, Purgantes sirtes a reter-lhe o vôo, Álgido restará em noite insone, No hirto coração, triste ressôo.
Ah! Portal rosado dos enganos Portal que do fim o odor esconde Cilada aberta ao vacilar humano Virtudes não havendo que a ronde.
Previsto alude de encostas frias, Invernal sufrágio dos prazeres findos... Soturnos, os gonzos das horas tardias Soaram, ao meio dia, acordes bem vindos.
Prontidão reclama a foz iminente Ao arrepio duma insana nostalgia Urge, pois, resgatar o sal inocente Do saldo de lágrimas salvado da orgia.
Urge reaver cores, valores e crenças Reciclar destroços em virtuoso vaso Lacrar o róseo sarcófago das avenças E apostar com fé no reflorir do ocaso.
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