
Quadras finais
Data 15/07/2017 14:49:41 | Tópico: Poemas
| O verbo em mim se esvai isso é verdade, Desfalecido na fuligem do meu peito. Engano ter-me crido um alvo eleito, Sirênico sonho, ser do estro a raridade
Lança aguda – fere e fende a sanidade – A vaidade, sutil madrinha do imperfeito, Risonha e fácil insinuou-se em meu leito, Vestal profana, por progênie a veleidade.
Esvai-se o vento e sem rumo meu adejo Esvoaça ao sol, adentra a noite, ao relento, E as certezas, a segurança e até o talento, Já distantes, apagam os rastros de sobejo.
O silencio que me veste o verbo inteiro, Vem sem rosto, vem sem vulto e sem matiz. Do fracasso é talho vivo e é cicatriz È a tristeza a libertar-me em seu viveiro
Pra que da liberdade agora ser posseiro? Pra que asas quero longas sem ter céu? Silencia-se bufa ópera ao meu te-déum; Secam-se me as folhas, reaparece o canteiro!
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