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Data 11/07/2017 02:19:51 | Tópico: Poemas -> Sociais
| Logo pela matina o ônibus já está com sua correria Lá pelas quatro ele passa coletando almas perdidas Pela janela embaçada eu vejo a cidade apagada, Caio em admiração perante a noite estrelada Até os pássaros estão dormindo, não escuto nada E o frio me abraça com suas mãos geladas Mesmo o moletom da marca mais cara não escaparia da ventania E minhas palmas clarearam, rígidas se tornaram Meus lábios secaram, as bochechas congelaram Até mesmo meus ossos se enferrujaram, "Dai-nos calor", eles me suplicarão.
Passando por entre as rodovias eu encontro luzes A estrada se deleita delas, e que assim continue Um pouco longe dali vemos catadióptricos a surgir E, dentre tantas faces sonolentas, Há aquelas que foram levadas pela correnteza, Que lentamente se renderam ao Pestana e sua delicadeza Outras tomaram um café forte e suas colunas estão em porte Aquele dorminhoco do Sol ainda não apareceu, Quando preciso do seu raiar, ele tende a me ignorar.
Ruas vazias, praças sem vida, esquinas sem alegria Neste momento do ponteiro, a comunidade é suspensa A movimentação nas avenidas ainda está lenta.
E no retorno, contemplarei o nascer do novo dia E uma voz em meu peito grita "Viva!".
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