
Acaso amas?
Data 01/07/2017 13:46:46 | Tópico: Poemas
| Vindo por essa trilha trilhando o mesmo caminho avistei um passarinho preso numa armadilha.
A pena se me abateu! Cuidei-lhes as feridas em meio a penas partidas, dialogando, ele e eu.
Já estando por ir embora, disse-lhe que por tal maldade, pelo privar da liberdade, até o ser humano chora.
Fitou-me com caridade, mas também com altivez, indagou-me se o homem, talvez, sabe o que é liberdade.
Sim, respondi de pronto, com o melhor sorriso que tive, - É assim que o homem vive, livre como me encontro.
Ai veio seu argumento, em suave tom sibiloso com seu olhar amoroso, e eu ouvindo atento:
“Pode o homem pensar, pode sorrir, pode até sentir. e também sonhar!”
“Porem de tudo que sente, dos seus sonhos e seu pensar, pode livremente falar, ou tem vezes que mente?”
“Como livre ele se enxerga, quando dele brota cobiça, e o paladar o eriça, e o possuir o cega?”
“Preso está a cordas tensas, das soberba e vaidade, do sexo e da iniquidade, e diz-se livre!... Pensas!... “
“È assim a liberdade? Um cálice de crenças, um feixe de diferenças, uma trouxa de saudade?”
“Sentem-se livres por ir e vir por comer e beber, por dormir até o sol nascer, mas serão livres pra servir?”
“Pois afirmo sem enganos Pra conhecer a liberdade Só resgatando a idade da soma de todos os anos.”
“Está no supremo penhor, de Deus quando tudo criou, que por nós de ser livre deixou, E Se fez Prisioneiro do Amor”
Então a mim me perguntou, firme mas com meiguice, e antes que perplexo eu partisse, bateu asas e voou:
“Livre, pois, porque te chamas? Acaso em alvas nuvens fluís? Por ventura sempre ris? Acaso amas?”
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