
A casa da Dona Clarinda
Data 28/06/2017 02:37:43 | Tópico: Poemas
| Apenas uma casa na rua tecia a paisagem nua no alto da ladeira destacada em tábua e palha chão de terra batida fogão a lenha, ferro em brasa abrigava a vida da lavadeira
Entre a vinda e ida das trouxas Dona Clarinda clara roupa quarava No meio das flores do quintal co'água do poço enxaguava torcia e dependurava no varal ao vento desfraldado em cantigas e cores ao sol do cerrado
A casa da Dona Clarinda falava um cochicho pelos cantos na porta que rangia na lida de todo dia, nos prantos batidos dos tamancos.
Daquela casa vazava pelo furo do telhado no meio da escuridão um fino fio de luz do lampião que no pavio de óleo ardia e alumiava a noite quente esparramada em nostalgia e com o céu de estrelas se confundia
A casa despertava ao cantar do galo a janela se abria, entrava o sol a água quente na chaleira logo coava no pano o café fraco e doce como se fosse feito com o último grão no pilão socado
Daquela casa exalava um cheiro de tempero um gosto de arroz de rapa e feijão cozido com carne seca preparada no terreiro com sol e sal
A casa da Dona Clarinda era linda uma rima no alto da rua que sumiu... no meio da cidade que cresceu cheia da vaidosa alvenaria Sem mais nem menos meu olhar perdeu o repouso daquele recorte de paisagem e a Dona Clarinda... já tem máquina de lavar
A dona Clarinda era uma lavadeira que morava na minha rua....
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