
quem tem medo do lobo mau?
Data 10/06/2017 04:43:01 | Tópico: Textos
| a essência da arte, em minha concepção, é o movimento. toda forma de arte move não só o autor, como o receptor da obra. a poesia, por exemplo, gosto de crer que nasce melhor do espanto, do incômodo, da curiosidade. este é meu pensamento.
certa música que gosto diz "certas canções que ouço cabem tão dentro de mim, que perguntar carece: como não fui eu que fiz?". esta obra, por exemplo, me comove, porque me diz algo, se assemelha a algo que penso, e a absorvo de tal maneira que me move escutá-la, ou mesmo lembrar dela.
sendo assim, é comum que nos incomode quando algo que gostamos se torna alvo de críticas, seja um filme, uma música, um livro, um poema. isso porque é como se tal obra nos vestisse, como se nós a vestíssemos. raro é não se incomodar com isso.
agora, e se fazem isso com algo que criamos, que nós mesmos criamos, que é fruto do nosso ventre? jesus, ai daquele que ousar. afinal, pensamos a nossa obra, mal pensamos já damos nome, nos desgastamos e suamos até que venha a hora do parto... e que coisa linda surgiu à luz, eu tenho que mostrar pra todo mundo! é meu novo filho, meu novo filho, acendam fogueiras...
não é bem assim. o texto parte do autor, mas não é parte dele. a partir do momento em que essa obra é posta em evidência, ela está sendo dada aos olhos de quem lê. e essa pessoa possui aquela obra e, como leitor, e aí não importa mesmo sua formação, tem direito à própria visão. se boa, se má, é subjetivo. eu mesmo detesto boa parte da poesia de barzinho do vinicius, e é o que ele tem de mais famoso. "olha que coisa mais linda, mais cheia de graça...", eca.
claro que há maneiras de dizer quando se gosta ou não, e aí vai da cabeça de cada um. mas se alguém diz algo que não nos agrada sobre uma obra que nos agrada, seja ela nossa ou não, cabe principalmente a nós, receptores diretos ou indiretos (no caso de obra alheia), a maturidade de aceitar a crítica, seja ela útil ou não. quanto aos nossos escritos, sendo ou não sendo úteis as críticas, fomos nós que pedimos, afinal, publicamos, e a publicação nada mais é que uma forma tácita de dizer "olha o que eu fiz".
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