
O TEU BANDOLIM
Data 25/05/2017 18:51:46 | Tópico: Poemas
| O TEU BANDOLIM
Lá longe, meu amor Bem longe, Os barcos ainda partem do cais. Sinto saudade meu amor Sinto saudade, Das tuas mãos a acenar entre a nostalgia do vento e o entardecer Das gaivotas em debandada E do teu bandolim Que ressoava no silêncio da maresia Entre toda a imensidão inimaginável.
Longe, meu amor Tão longe, Sobrevive ainda meu corpo nu, Teu fogo posto O elogio aos amantes.
Sem saber quem és sorrio. Sem saber quem sou te dás.
Regressamos ao início. A plenitude vem soberba junto a nós, E tuas mãos permanecem em Meus seios palpitantes de Primavera. Tuas mãos inquietas, indecisas de menino, Homem que és.
Ai, esta loucura de estar viva! Vem somente extasiar-me com um carinho, Ou mais um hino, Enquanto os barcos ainda partirem do cais, Meu amante de Outono, Inverno, Inferno, Verão ou Primavera. Trago na pele o odor de todas as madrugadas, Da alfazema Quando era menina, Mas trago persistente o odor de ti e do bandolim Em todas as maresias, Trago na saudade a foz de um rio Perpetuamente renascido em todas as negras tulipas, amado meu, E esta loucura de estar viva, E saber que estás em mim. © Célia Moura, in “Enquanto Sangram As Rosas…”
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