
Libertas Quæ Sera Tamen
Data 21/04/2017 05:46:56 | Tópico: Poemas -> Amor
| Eu enclausurado aqui nesta masmorra; até que eu morra hei chorar o amargo pranto do que perdi... Não a liberdade privada pelos nossos “colonizadores”; porém as dores de não mais poder estar perto de ti!...
============================== Atrevido fui com eles ante à injustiça colonial; pois o metal precioso nos roubam pra bem da coroa portuguesa... Dos homens desta terra roubam o ouro; porém o maior tesouro, de mim roubaram...tu, minha maior riqueza!...
============================== Da terra e das gentes são senhores gananciosos, poderosos... À força da mão armada, não há então quem que suporte... Uma corda em meu pescoço deviam ter posto; ante ao desgosto de te perder...prefiro eu então a morte!...
============================== Ficarei enclausurado aqui nesta masmorra até que eu morra; porque aos nossos “colonizadores”cometi agravo... Lutei por liberdade a toda essa gente injustiçada; porém amada, hei de morrer feliz por ser do teu amor, escravo!...
(GERALDO COELHO ZACARIAS)
MARÍLIA DE DIRCEU...
Eu aqui, separado do meu maior valor... Não, não é o da liberdade ao qual me refiro... Fui arrancado dos braços do meu grande amor; e condenado ao degredo neste retiro!... Sonhei de um povo sofrido, a liberdade!... Mil vidas eu tivesse, eu as daria!... Porém, a minha morte (é bem verdade) é ser privado do amor que foi meu um dia!...
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Lá nos campos eu conheci criatura tão sedutora a cuidar então das ovelhas da família... Não tem a deusa afrodite, mais encantadora atração; do que essa, que é chamada de Marília!... Trocamos nós dois então doces olhares; nossas almas se uniram em um tempo breve!... Disse-me (lançando um doce beijo pelos ares) "vai, pede-me em casamento e seja breve"!...
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Os lábios de Marília eram em tom rubro; não sugar a doce essência, me era então cruel!.. Ao recordar doces momentos, então descubro: não há doçura igual; mais doce mel!... Porém, no entanto tal qual vespertino crepúsculo; o dia se "apagou" pra mim, de forma irracional: condenado por um governo sem escrúpulo; de Marília, separado fui, por ordem imperial!...
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Foi como se o céu se tornasse então cinzento; antes do sol, no ocaso então de seu desmaio: arrancada me fora, Maríia, pra meu grande tormento; tão veloz como um relâmpago, um forte raio!... Eu aqui, separado do meu maior valor... Não, não é o da liberdade ao qual me refiro; mas, sim, de minha Marília e seu amor; então com versos doloridos, mais me firo!...
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Sonhei de um povo sofrido, a liberdade!... Mil vidas eu tivesse, eu as daria!... Porém, não escapei à minha impunidade: morri, pois perdi pra sempre a minha Marilia!... Tu não verás, Marilia, por toda a vida tua, nada mais sofrido quanto este tão sofrido enredo de minha história; esta minha sina dolorosa, crua; condenado a não ter o teu amor...maior degredo!.
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(GERALDO COELHO ZACARIAS)
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