
Vazio
Data 20/04/2017 00:31:28 | Tópico: Poemas -> Sombrios
| Me perguntaram como estou agora Acabei por não dar uma resposta Afinal não a tenho faz tempo O viver se tornou algo mecânico Transformou-se em algo inorgânico Deixo-me, a cada dia mais, de ser humano Fecho meus olhos para não ver por onde ando Sem a bênção e proteção de um santo Caminho para um lugar sombrio No limbo é esperado o meu destino Entre o céu e o inferno eu serei um escrevo eterno Preso em um mundo sem chão e sem teto.
A escuridão a cada dia me transforma Ela se incorpora em uma forma pavorosa E, ao mesmo tempo caridosa, me convidando para adentrá-la Sobre ondas escuras somente a Lua pálida consigo enxergar Não há saída de emergência, as nuvens são intensas Não há criaturas, apenas a minha vaga existência Em meu frágil corpo agora noto uma diferença Onde estou não existe crença, Apenas o nada, preto, não há terra, vento ou água Eu carrego sobre mim minha penitência A inexistência torna esse lugar minha sentença Perpétua, culpado por uma vida sem regras Hoje estou assim, sem respostas para minhas preces Ficarei preso aqui, esperando que minha vida termine e recomece Não há razão para ter pressa.
Gostaria de sentir o ar poluído da cidade de novo Gostaria de comer feijão e arroz no almoço Ou quem sabe apenas um colírio para minha visão ressecada Minhas pupilas estão dilatadas Minha pulsação segue acelerada, desenfreada Minhas pernas por mim já não são comandadas Eu perdi totalmente "o fim da meada" Apenas sigo por uma interminável estrada Desejando um fim, mesmo que isso signifique a morte Que eu me sacrifique, meu corpo já não mais resiste Quero apenas que acabe, quero escapar Aqui não sinto meu coração, já não sinto mais seu palpitar.
O lado sombrio da Lua não é páreo Onde eu estou não há espaço Apenas o vazio, sem estrelas para iluminar meu caminho Desde de que eu cheguei aqui eu estou perdido Tentar escapar não faz sentido, pela escuridão fui engolido Salvação se tornou uma simples lenda, mito Queria que fosse verdade, cada vez mais eu perco minha humanidade Amor, ódio, felicidade, ficaram na saudade.
|
|