
Manhã silenciosa 5 (Capítulo I)
Data 24/03/2017 18:53:03 | Tópico: Contos
| O dia deu lugar à noite, no percurso que realizei até casa decidi telefonar para o meu Diretor de Sessão e comuniquei-lhe que hoje já não iria à redação. – A notícia sempre sai amanhã? – Perguntei. – Claro que sim! Já está a caminho da gráfica. – Obrigado por tudo, a sério…! – Não tens que agradecer, o mérito é todo teu. Descansa rapaz e amanhã não te quero cá. Ao abrir a porta, Pulga faz uma enorme festa por me ver, brinco um pouco com ele e o canino agradece-me com beijos no rosto. Depois de ter ido com ele à rua, este deita-se comigo na minha cama de casal em cima do meu abdómen. – Amigo, o meu dia foi bastante desgastante. Levantou as suas orelhas em posição de alerta e ganiu. – Tu para um animal és bastante inteligente – passei as minhas mãos pelo seu dorso. Voltou a depor o seu focinho no meu abdómen, com uns olhos brilhantes e expressivos. – Raios... – expressei-me desapontado – esqueci-me de responder à Alessandra. Liguei-lhe, mas não me atendeu, no entanto deixei-lhe uma mensagem. Desculpa não ter respondido mais cedo à tua mensagem. Liga-me quando puderes. Depois de ter tomado um duche e jantado, sentei-me no sofá da sala e liguei a televisão num canal por cabo de séries, o Pulga deitou-se ao meu lado. As paredes da sala são brancas e no teto está um cadeeiro com vários efeitos igualmente branco. A trás de mim encontra-se uma estante de madeira recheada de livros, uma das minhas grandes paixões e ao lado numa pequena estante está um rádio. O sofá é branco e grande, com almofadas pretas, outras brancas e ainda listadas para o enfeitar. À minha esquerda tenho duas cadeiras negras e atrás destas encontram-se três degraus que dão acesso à varanda. Os cortinados são brancos. À minha frente está a televisão em cima de um móvel de madeira. À minha direita está uma cadeira longa de cor branca, o Ricardo adora sentar-se nela, diz que lhe dá sorte quando joga FIFA comigo na Playstation. Oiço o meu telemóvel tocar ao som de uma mensagem, toco no visor, é a resposta de Alessandra. Não tem problema meu querido, agora não me dá jeito telefonar-te, tenho cá em casa os meus pais e os meus avós. Beijinhos. Olhei para a televisão, estava a dar um episódio repetido da véspera. No entanto decidi apagar a televisão e ir para o meu quarto, Pulga foi a trás de mim. Como nessa noite não tinha muito sono e precisava aliviar a cabeça, peguei no livro que se encontrava na mesa-de-cabeceira e continuei a ler aquela aventura. No dia seguinte levei o Pulga à rua e passei pelo quiosque da esquina. O Sr. Avelino meteu-se comigo. – Miguel, Miguel acha bem a notícia que escreveu? Os portugueses vão ficar chocados? Não acha? O Sr. Avelino é uma pessoa de meia-idade, uma das poucas pessoas que posso descrever como genuína e com uma força de viver que nunca vi. Ultrapassou a guerra contra um cancro, poucas pessoas chegaram a sabe-lo, incluindo eu. O cabelo ainda estava fraco, mas a vida que este homem possuía era estrondosa, eu admirava-o por isso. – Não será esse o objectivo? Não me deu resposta… também não quis forçar uma. – O casamento com a minha neta é para quando? – Voltando a persistir no assunto. – Não diga isso que as pessoas ainda pensam que é verdade. – A rapariga está solteira e tem mais ou menos a tua idade – relembrou-me. – Calma Pulga, vamos já para casa – olhei para o meu cão com o objetivo de cortar por ali o teor daquela conversa. – O News Page, se faz favor – pedi. O News Page é um jornal diário. Na primeira página vinha a Eleição do novo Presidente da República; a vitória deslumbrante da menina de ouro, que com esta vitória no judo subia cinco posições no Ranking Internacional; o anúncio do sismo sentido no país, que até ao momento não se tinha registado qualquer incidente tanto a nível pessoal como material. A minha notícia estava bem destacada no canto superior esquerdo, “Se a Eutanásia fosse legalizada em Portugal?”
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