
MORTE IMINENTE
Data 12/03/2008 19:57:43 | Tópico: Poemas -> Introspecção
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Num copo de bar, Numa infecta latrina, Num beijo melífluo Está um vírus cruel, Em seu poderio infernal, Brinca de esconde-esconde Num jogo amargo e infame.
Numa viagem clandestina, Uma bomba palestina, Faz um corpo estilhaço Num desfecho ingrato.
Um corpo estendido No hospital da aldeia, No albergue de fim de vida, Escorre gota a gota Em precórdicos ruídos abissais, De uma discórdia precisa, Entre o continuísmo criativo, respiratório, cabalista... E o fim inerte, pútrido, indefeso...
As surpresas do músculo pulsátil, Ainda, jovem que pára; Agora, Gongo silencioso Imerso em seus sonhos; Angustiado coração que não pára Num corpo rígido, Vivente escravo de tubos, poções... Que se mantém neste mundo, Como punição cibernética, Ao fugidio calor uterino, Na incompreensão do sentido vital.
Morte que se aninha Na batalha fratricida, Que toma conta do corpo Na degenerescência neural, No distúrbio hormonal, Que faz fim a montes celulares Na pústula final, Que se aproxima sorrateira Em despejos infecciosos inconseqüentes.
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