
Poeta lógico
Data 29/01/2017 16:34:42 | Tópico: Poemas
| Há lógica Na lógica Do poeta?
Sim, por certo, Como há lógica No vôo de um pássaro, Mas não como há lógica No vôo de um jato.
Como há lógica No pulo do gato, Nas flores que nascem No meio do mato, No beijo, no ato, no cacto, Porque a poesia Não é um jogo de dados Nem cláusula de contrato.
Há lógica Na lógica do poema Como há na pena Ou no chilro Da ave que gorjeia, Como no vôo da abelha Ou no adejo, De flor em flor, Da borboleta,
E, então, traduzi-la Em metáfora, Em palavra, Em som, Em letra, Em mar...
Há tanta lógica No poema Quanto há na borboleta, Em vê-la E imaginá-la, Em sonhá-la E escrevê-la Depois de vivê-la,
Suas asas, cores E antenas Em palavras E lógica Que nos transmitam Todo o apuro E leveza Do que acertaram chamar De beleza.
Que o poema Seja lógico, Não como um relógio Ou um edifício, Mas como jóia, Luz pela clarabóia A iluminar-lhe O corpo físico.
Que o poema Não pareça Frio construto E seus fins, Mas fruto Cujo fim Seja não ter Qualquer fim, Senão aquele Que faça sentido Para mim,
Senão aquele Que, não sendo prévio, Seja de fato Meu olhar Sobre os pássaros, Cactos, prédios E o mar...
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