
Exercício Poético (De Alguns Espelhos)
Data 27/01/2017 19:04:11 | Tópico: Poemas
| Eu sou algo que nada é Vento gelado na face Resposta sem questão Gente estranha sem fé Artimanha sem classe No limiar da ficção
Tu és sombra sem luz Rio seco sem água Página sem palavras Sol que a Lua seduz Tristeza sem mágoa Da terra que lavras
Ela é mar sem rosas Mar crispado que ri Beijo dado sem amor Céu azul que gozas Coisa que nunca vi Sem frio, sem calor
Nós somos metade do que eras Tempo fecundado sem destino Cruzes brancas sem outro jardim Outonos de novas primaveras Que tão louco não descortino De névoas ligeiras sem fim
Vós sois a árvore que aqui vive As folhas secas do longo abraço Aquela memória sem história O passado que nunca eu tive A terra velha, passo a passo Silêncio de olhos fechados, glória
Eles não são tudo e mais nada Irrisórias incógnitas matemáticas Nuvens cinzentas que espelho Chuva, Temporal, enxurrada Conversas levianas, pragmáticas De quem cita o evangelho
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