
Ela Gostava de Ler
Data 27/01/2017 18:07:17 | Tópico: Poemas -> Amor
| Paloma, uma garota bela que morava na mesma rua Desde a infância, nunca tive coragem de chamá-la Para brincar ou quem sabe para conversar A campainha da casa dela nunca tive coragem de tocar Pela janela eu ficava a admirar Imaginando se algum dia eu poderia te abraçar Sem malícia, amor juvenil e inocente Como dizia aquele meu parente "Isso passa, acredite" E ainda assim, eu estava encantado Enfeitiçado pela simplicidade daquele olhar Tão profundo como o fundo do mar E eu estava dessa maneira por ela Que nenhuma brisa apagaria essa vela.
Mas como de costume o tempo passou E esse tal amor foi-se tornando uma lembrança Da minha época de criança De quando não agia com ignorância A imprudência era totalmente minha.
Ainda assim, eu a vi, morando novamente perto de mim Especial, não apenas pela beleza facial Não por algo tão superficial Estou dizendo de modo intelectual E pela janela eu conseguia vê-la no quintal Com um short simples, uma camisa sem grife e tal Lendo um livro aparentemente interessante Na capa eu só conseguia perceber um viajante E aquele devia ser o livro favorito de sua estante Pela janela eu a pegava lendo-o a todo instante.
Eu já estava "crescido", tinha amadurecido Mesmo que estivesse indeciso se conseguiria fazer aquilo Fui até aquela janela, chamei pelo nome dela E sim, ela atendeu ao meu chamado, no quintal apareceu Fingindo não saber, perguntei se ela gostava de ler Ela disse "Sim, por quê?" Sem parar pra pensar, respondi "Escrevi isto, podes ver?" Claro que o poema era sobre ela mesma Fiquei preocupado dela criticar sobre o texto Afinal eu a usei como referência Tudo ocorreu no sexto dia do mês de fevereiro.
Eu havia me formado e me mudado por um tempo Depois de alguns anos eu voltei ao meu templo As lembranças guardadas pela janela, que se fechava com a força do vento Mas parece que Paloma nunca se mudou O meu medo foi dela ter encontrado um amor Porém não recuei, e o poema eu lhe dei.
Ah, o destino, o acaso, uma tia dela sofreu um infarto E por conta disso, sua mãe pediu para ela ir morar com a tia Eu não poderia, de forma alguma, impedi-la Mal sabia eu que nossas vidas seriam separadas naquele dia Na última vez que eu a vi, ela estava saindo de casa, meio entristecida Talvez pelo que ocorreu, não sei A última vez que a vi eu estava a chorar Hoje, na janela não consigo mais ficar Pois terei a esperança que ela voltará Quando ela se foi eu não consegui me controlar Com os olhos a lacrimejar, entrei em meu quarto E com a caneta, escrevi sobre a menina que fora minha dona Adeus para sempre, Paloma.
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