
O azulão e os tico-ticos (Catullo da Paixão Cearense)
Data 27/01/2017 11:20:33 | Tópico: Poemas -> Dedicatória
|  Do começo ao fim do dia, um belo azulão cantava, e o pomar que atento ouvia os seus trilos de harmonia cada vez mais se enflorava.
Se um tico-tico e outros bobos vaiavam sua canção, mais doce ainda se ouvia a flauta desse azulão.
Um papagaio, surpreso de ver o grande desprezo do azulão, que os desprezava, um dia em que ele cantava e um bando de tico-ticos numa algazarra o vaiava, lhe perguntou: " Azulão, olha, diz-me a razão por que, quando estás cantando e recebes uma vaia desses garotos joviais, tu continuas gorgeando, e cada vez cantas mais?!"
Numas volatas sonoras, o azulão lhe respondeu: "meu amigo, eu prezo muito esta garganta sublime, este dom que Deus me deu!
Quando há pouco, eu descantava, pensando não ser ouvido nestes matos, por ninguém, um sabiá que me escutava, num capoeirão, escondido, gritou de lá: "meu colega, bravo!....Bravo!...Muito bem!"
Queira agora me dizer: - quem foi um dia aplaudido por um dos mestres do canto, um dos cantores mais ricos que caso pode fazer das vaias dos tico-ticos?!" © Catullo da Paixão Cearense (1863-1943), compositor e poeta nascido no Maranhão.
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