
Um Louco Partido em Partes
Eu sei que todo o preto é branco e a aquarela se dilui no espaço e que termina no barranco todo o plano que faço para que eu possa encostar e descansar e todo o caos é argumento para que eu possa então... Falar sei lá. E todo louco é lúcido porque se não for melhor me internar.
Por isto só me desejas quem não me conhece ninguém sabe como a aranha tece a podridão! que em mim existe a desolação que me assola escutas o que te digo não se esconda em um abrigo não ponhas a mão no corrimão desta escada e na sacada escuta que te digo não olhe para o chão e tome um último trago no bar da imaginação.
Se estatele na beira do sofá não quero teu afago o que tiver de ser será sou um mal sem tamanho não faças de mim um lago não sou parte de um rebanho em um murmúrio vago em uma noite anômala sou um ser estranho que se veste e se joga na lama e meus dedos estão frios como um rio teus seios olham para o céu eu fico sem jeito olhando teu seio macio e escondo meu olhar com meu chapéu Eu sei todo o azul é luz e o verde é terra sei que a vida se encerra e toda a morte é amarela a palidez é cor e que o amor é tudo que todo o ódio é puro que eu sou um porre sem jeito e que a perda de tempo igual a fermento que incha intumesce o peito e explode e morre.
Alexandre

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