
Utente do silêncio
Data 18/01/2017 17:51:36 | Tópico: Prosas Poéticas
| Calei o pensamento derradeiro Descobri somente onde a verdade se revela qual ungüento num profundo silêncio sorrateiro Interpretando palavras ecoando cuidadosamente engomadas neste verso recriado em cativeiro
Tornei-me utente deste silêncio namorando os ecos estampados naquela infância resvalando no tempo estupefacto Colori com serpentinas e festejos o cântico dos lamentos mastigando todas as minhas solidões indiferentes a uma estatística de amor contagiante ou num sorriso integral calando cada desejo deste desejo que adivinho inebriante
Mergulhei as tristeza para lá do limite destes céus factuais Esculpi em cada nuvem a imaginária solidão alimentando uma gargalhada quase irracional olhando o buquê de silêncios adormecer a manhã ao colo deste tempo predador e sobrenatural
Faz-se depois meu silêncio sem estardalhaços Calei-me a espaços entre a existência que abraço e aquele instante de tranquilidade repleto de nós num retrato colossal…fragmentado no tempo disperso num lamento de criatividade
As veredas do silêncio são agora o redil onde pastam as palavras meigas e dóceis entrelaçando-se em goles de louvores gráceis, contemplando a efeméride deste sonho irrefutável submergindo na lauta manhã onde me alojo finalmente degustando cada pedacinho de eternidade chegando inexorável
FC
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