
A VIDA BALANÇA PRA LÁ E O MAR PRA CÁ
Data 12/01/2017 20:28:08 | Tópico: Poemas -> Reflexão
| Sou tímido, falo de cabeça baixa Não ando à noite, durmo com as galinhas Nem durmo durante o dia, mas sei da minha estrada Pinto meus paraísos com a tinta de sua alma E sempre faço minha pressa na tua calma! Pra te alcançar ando descalço, não uso laço
Sou cheio de manias, ando pintando pássaros Dentro de minhas veias, ando quebrando passeios Pra encurtar ruas e te encontrar na sua Quebro muros pra unir os povos Faço pontes pra ficar mais fácil Que manias loucas que tenho! Ando fora de moda!
Tem hora que piro: Leio no jornal de ontem As notícias de amanhã Se mudo de canal ta tudo igual Até minha rádio ficou louca Anda falando que tem um país por aí Que ta interferindo nos eleitores de outros Êita rádio boba! Acha que o povo acredita!
Outro dia ouvi que tem um presidente Destruindo as relíquias da humanidade! Diz que sai pó aí matando crianças Pra marcar território: quer um povo novo, matando crianças!
Tem outra turma mais louca ainda, seqüestrando jovens garotas Ah! Dizem de certos livros sagrados que não podem nem ver! Mas têm outros que podem ver e até decorar. Imagino! Ta vendo Deus, o que Você deixou aqui na terra! Meu planeta azul de alma marrom não ta agüentando Seus filhos! Sabe esses lixões? Os Botas-fora? Reciclagem? Transbordo? Corre Pai, manda esse seus filhos prá lá. Pode ainda ser tempo!
Ta de tirar o fôlego! Oceanos se tornaram corredor de matadouros Lá onde o boi, o porco, o cabrito e o pato, valem o mesmo preço: Aquele que pagamos por eles em nossas mesas, em nossas festas Lá eles todos sentem o mesmo medo, têm a mesma “síndrome”!
Tem horas que me pergunto porquê esse povo estudou tanto? Se depender de quem decide estamos todos “fu”, aliás, estamos! Quando uma turminha quer, ninguém segura, manda, amedronta! E a turminha dos Palácios e das gravatinhas francesa, bate palma! O cara do jornal ri à toa, nem precisa de anúncios, vende tudo! Nós compramos tudo, lemos tudo que não nos ensina nada! Pagamos pra não aprender, temos medo do saber e sentimos bem!
Trabalhador pega sua enxada, capina sua estrada Doutor usa sua caneta, faça justiça para todos Senhora quebra sua panela, não deixe ninguém dormir Jogador tira sua chuteira, deixa seu pé fazer a alegria Criança venda seu bico, doa sua mamadeira, mas sorria Seu guarda rasga essa farda, troca sua arma, mas tenha alma Seu vigário, saia do altar, bata o sino, anuncia a salvação
Por fim meu Deus abençoa esses seus filhos malucos. Meus irmãos! Permita aos poetas continuarem loucos. Amém!
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