
Hora Triste - Dois Sonetos de Despedida
Data 12/01/2017 18:46:35 | Tópico: Sonetos
| I
Quando eu partir, e sei que em breve partirei, não deixem de me lembrar como sempre fui e acreditem que para sempre viverei nos campos e na água que dos rios aflui!
Quando eu morrer, e acreditem, não demora, não deixem de pousar nos meus olhos uma flor! E embora seja triste, a languidez da hora será prova de que entre nós havia amor ...
A viagem traz outro sitio a alcançar, espaço onde haverá em mim lugar p'ra todos vós, e farei a travessia, sem medo, embora só!
Mas levarei comigo os momentos que vos dei na certeza de que afinal, aonde vou, não sei, só sei que digo adeus com pena d'ir e não voltar!
II
Mas este adeus não será um adeus p'ra sempre, na verdade, viverei nos vossos corações, não chorem, pois quem chora alto, mente, chorem para dentro, é lá que estão as ilusões ...
E é lá que estão os sonhos, e os versos, e tudo o que se almeja um dia encontrar, é lá que estarei eu, no fundo do desejo de em qualquer parte, nos podermos abraçar!
Eu não sei se voltarei! Ninguém jamais voltou! E na verdade quem parte nunca leva a tristeza dos olhos de quem ficou ...
Mas quem fica, não sabe a tristeza que levou quem morreu, e não há Poeta que descreva o que sentiu, quem com a morte se encontrou...
... adeus ... adeus ...
Ricardo Maria Louro
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