
O CREPÚSCULO DOS DIAMANTES NEGROS
Data 10/03/2008 12:16:31 | Tópico: Poemas -> Reflexão
| O CREPÚSCULO DOS DIAMANTES NEGROS
A
Não podemos esquecer Dos corpos que jazem sem cemitério Por saber ser hábito o genocídio De negros norte-americanos em tempos pretéritos.
B
Não podemos esquecer Da inerme ordem pacífica Que vigorava naquela remota província: Onde, embora se respeitasse as torpes e indignas regras ferinas, Era muito forte o ódio que na mente dos filhos da tirania Silentemente fluía.
C
Não podemos esquecer Das chagas inexoráveis do aparthaid: O qual até hoje, apesar de oficialmente obliterado, Continua a mostrar seu gládio nos tribunais Ao condenar criminosos fabricados.
D
Não podemos esquecer Do homicídio de pessoas injustamente acusadas, As quais foram mortas Por um ardil procedente do medo, da aleivosia, da raiva: Sim, na socapa de um estupro, Alegado por uma ariana rameira Vivendo maritalmente, Jaz a fórmula para acender a pólvora Promotora da vaga de hecatombes que destroem a convivência No mundo, então, comutado em oceano-rio-mar segregantemente Inclemente.
E
Não podemos esquecer Do sul estadounidense e dos corpos que jazem sem cova, Em Housewood, na Flórida.
JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA
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