
ÀS CLARAS
Data 19/12/2016 12:06:02 | Tópico: Duetos
| ÀS CLARAS
AQUINO:
Não se pode negar que te desejo, Embora diga não mais te querer. Pois tudo em ti me atrai tão-logo vejo Meus olhos em teus olhos sem querer.
CLARA:
Sei que foges dos meus olhos. Sim, eu sei! Tentas dissimular e me esconder O que sentes sob tão obtusa lei, Que faz do amor um jogo de poder.
AQUINO:
Não quero mais dizer que não te quero E mesmo que não possa ou que não deva Sem mais nada esperar, ainda espero Do que já me foi luz e agora é treva...
CLARA:
Não há treva que dure: Vem a aurora! O amor que fere é o mesmo que sara... Permite que a verdade surja agora E transforme estas trevas em luz clara.
AQUINO:
Sim, Clara, se me tomas pela mão, Falando enfim à minha fantasia, Talvez finja que não finjo a emoção De tua fala feita de poesia.
Se finjo não saber que te desejo E minto a te dizer que não te quero, Sei que nada te impede um outro beijo Ou de dizer que tudo fora invero.
CLARA:
Deixa apenas falar ao coração O mel que me derrama pela boca Da impossível poética em canção, Que então dentro de mim agora toca.
Deixa que minha boca toque à tua No encontro pleno d'uma estrofe muda: Seja poesia a minha carne nua E seja luz minh'alma em ti desnuda!
Belo Horizonte - 18 12 2016
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