
VERTIDOS
Data 07/12/2016 21:21:31 | Tópico: Poemas
| Como o frio e o calor, há palavras devem voltar. Porque que a lírica serve-se com o doce da pimenta...
Entra. Fecha a porta. Não, deixa-a entreaberta para que a brisa nos espreite e sopre. Será preciso!... Molha-me a boca seca-me o ácido dos dias sem ti. Enlaça-me, chama à tua a minha pele cessa os meus momentos mornos de invernos impiedosos. Pára. Não desabotoes a seda que me cobre o peito; rasga-a em tiras desalinhadas quero-me como farrapo em teu corpo. Abraça-me, suga-me, ferve-me salga-me o corpo no teu transpirar. Arrasta-te à parede e volta-te para ela quero partir contigo as fronteiras do desejo… Levanta os braços, abre as mãos em palmas e mancha de água a parede envergonhada. Seguro-te e arrepias solto-te os seios acesos pego-te os pulsos e sinto o sangue a arder! Rasgo-te, como rasgado estou de mim... Afasto-te as coxas, vergo-te e beijo-te a nuca. Sinto os pés no chão vertido. Vou para ti desnorteado, endoidecido… e não quero saber, sequer se a porta se abriu completamente ou se fechou.
João Luís Dias
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