
GRANDE EXÍLIO
Data 08/03/2008 13:09:29 | Tópico: Poemas -> Introspecção
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Quando minha alma sentir O grande exílio Que meu corpo sente agora, Vestirei o nu mais pedante e sensual E a todos chamarei Para participar da orgia maior!
Agitarei minha bandeira vermelha Enfeitada com uma suástica Que mais parece a estrela de David!
Visitarei os mais imundos E obscenos prostíbulos. Darei meu corpo às damas da noite, Para que o possuam Lasciva e despudoradamente!
Ofertarei ao maltrapilho Que me estender à mão, O rubi de minhas fartas raízes E jamais me perdoarei por isto!
Amaldiçoarei o padre Que perdoa pecados, Ainda não pecados!
Deixarei que entre o sol Em todas as covas do planeta, Para que sua luz Desperte a todos, Para que vivam com a gente Um dia sem passado!
Trarei para as ruas Todo esoterismo preterido Pelos alforjes triunfantes E lhes darei As chaves de nossa civilização!
Minarei com minhas neuroses profanas, Todo simbolismo milenar, Que urge os homens Por vielas estreitas e beligerantes!
Afogarei em águas turvas Todos os cactos Para que brotem De seus pontiagudos espinhos, Pétalas que ocultem Com seu estranho milagre Os que não têm o poder de sonhar!
Farei os santos de cimento armado Deixar sua rigidez onipotente, Para que seus braços impolutos, Estreitem os que rastejam a seus pés!
Aos mercenários incorrigíveis Pedirei, Para minha pobre cidade, Um dia de ações de graça!
E quando me sentir livre do exílio, Voltarei a ser Dom Quixote dos Bancos de praça, Ou se desejar, Um rei em terras distantes!
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