
À mercê de Dali
Data 06/11/2016 22:35:44 | Tópico: Poemas -> Surrealistas
| Cobres-te com o relógio morno da noite.
Dás corda ao despertador sonolento e espetas os ponteiros, lavados pela solidão, nos números ocos que a esperança salva todas as manhãs.
Bem sei que os sonhos sabem ao algodão-doce azulado da maresia, e que a areia encarnou no gosto do caramelo…
Ainda que o golfinho alado te carregue na sela, há uma rédea solta no teu cavalgar.
Enquanto a salmoura mantém as tuas pestanas cerradas, um vento encolerizado pelos dedos de Morfeu, troando as unhas sobre a mesa-de-cabeceira, acorda-te o instante.
E o sol, obeso de tanto ouro, irrompe pela fresta contrariada da janela, vomitando o pó embriagante das estrelas apagadas…
Por muito pouco, o quadro não se abre por trás da imaginação e tu não verbalizas o grito que a ressaca revela na utopia do sono!
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