
A FLOR DA SUBJETIVIDADE
Data 07/03/2008 12:21:36 | Tópico: Poemas -> Dedicatória
| A FLOR DA SUBJETIVIDADE ( DEDICADO A HELEN)
Por que não te assumes como Poetisa, Trigueira Flora? Por que te martirizas? Por que não dás vazão á sublime centelha da verborragia, Em tua masmorra sentimental inexplicavelmente detida? Por que não queres que a tua lídima identidade aflore Para que possamos enxergar nesta, o pélago da tua fantástica Sensibilidade? Afinal, para descobrirmos se és infensa, imune, Contrária á vaga de primaveras apaixonadas: sim, pois nela Reside a febre de lirismos da índole sumária. Ah, por que não queres te expor aos reveladores raios da magna Aurora, que, aqui fora, caudalosamente, se espraia dardejante e Suntuosa?
Não te diminuas: Saibas que o compromisso compele o poeta. Sim, sobretudo quando a faísca em molde de reflexão o cinge: Daí, a tinta da impressão o reveste e a palavra, que pulula na sua Mente, transposta para o fulcro da Cibernética ou da Celulose, Cria uma própria vida, materializa-se, se consuma, se expande e Absorve. É Como se Cavalgasse sobre o lombo de um furtivo Repente. E, ao capturá-lo, O parnaso se sentisse alegre, leve, contente. Alegre por domar Cavalos alados. Leve por parir cavalos alados. Contente por Sê-los. Ah, contente por ser o Pégasus de verbos sagrados, aspurgentes, Altaneiros!
Decerto a sensibilidade quer-te quando queres; A espontaneidade de forma alguma habita este alfobre. Porque tu, ao contrário do que dizes e pensas, Queres e necessitas sofregamente da primeira: Sim, pois nesta jaz a resposta. Que resposta? O poema. Portanto reside aí, a procura: De quem? A dela, a tua! Claro, aí deita a vossa relação mútua.
Flor, Flor, Flor: Não sejas tão-somente Flor bela, Mas também a Florbela. A Flor bela Que, deflagrando, lacera... Que, se entregando aos braços do masoquismo, Espanca a dor, a mágoa, a festa Das amorosas venturas funestas. Ah, Florbela, Por favor, te assume como parnasa. Ah, Florbela, Eu imploro, mostra-nos Que, ao mundo, poetas, parnasas. Sejas, então, simplesmente, Poeta! Sejas, enfim, a Maestrina Maior da Lírica A reger a Mabiosa Orquestra com o bastão de doces lufadas Etéreas.
JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA
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