
CALMARIA
Data 26/10/2016 17:37:25 | Tópico: Poemas
| CALMARIA
Pássaros passarão em nuvens brandas; Em nuvens (ou em bandos...) pelo porto. Alguém diz: “Pandas asas, velas pandas”... A ver navios e aves quedo absorto.
Não parte o meu navio; ando a seguir Por este cais ruidoso já sem pressa. Esperar é o mesmo que existir. Meu olhar todo o oceano ora atravessa.
Receios de partir; ânsias de chegar, O coração se agita sem razão. De novo os olhos pousam sobre o mar E o que veem é de novo imensidão.
Pois se sucederão, dia após dia, Manhãs em tudo idênticas já a esta: Pássaros passarão sem alegria... Navios abrirão velas sem festa...
Futuro é o presente repetido Somente à espera da hora da partida. A vida passa sem jamais ter sido A promessa d’amor outrora ouvida.
E ainda que bons ventos me levem, Pássaros passarão... (Ai, que quimera!...) As velas, como a vida, mal se atrevem Sempre à espera da espera d’outra espera.
Vitória – 05 11 2009
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