
Feira das vaidades
Data 20/09/2016 17:03:58 | Tópico: Poemas
| No areal escalda o sol vespertino, alto, quente; convida o mar a um mergulho e cheios de orgulho os corpos de toda a gente semi-despidos, da velha ao menino.
As toalhas coloridas revestem o chão, os pés evitam sacudir a areia, educados; mas para todos os lados, tão cheia, deitados corpos semi-despidos estão.
Roupa reduzida a cobrir o nada, a carne de fora, agora exposta e suada, seduzida.
Os olhares tocam-se indiscretos, atrevidos, gulosos; saciam a vista: músculos definidos, peitos firmes, lassos, direitos, todos indefinidos. Artista o escultor destes corpos tão erectos.
Há toda uma provocação sublime que todos fazem, aceitam, regulam, acto não pensado que, por ser regulado, em todos circulam estes restos de crime.
Até ao mergulho, engolido nas marés, mar adentro, viril, até à fronteira da pele... Esse mar que te expele sereno, revolto, vil, que banha-te da cabeça aos pés.
Ficas molhada, recanto a recanto e nada, nada fica ileso. Esse suspiro preso que tens como encanto, pranto, se o teu corpo nele nada.
Exaustos os corpos vaidoso secam, reluzem ao sol... cada um fica mole mas, nisto, todos pecam nestes faustos.
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