
DIVINO LUME
Data 15/09/2016 02:31:47 | Tópico: Poemas
| DIVINO LUME
Observa as estrelas de perto certo de que n'algum canto Luz ainda indescoberto de Deus o seu lume santo... E investiga o espaço aberto -- decerto errado ou nem tanto -- Tendo o espírito deserto, perto já do desencanto:
Galáxias conta aos zilhões mais quasares a pulsar E imensas escuridões... Supernovas ou a findar, Formando constelações... Mas nada de se encontrar D'entre tantas posições onde Deus tenha lugar.
O Universo em plenitude, porque físico e sensível Mais diversamente ilude -- quase não inteligível!... -- Na inumana solitude, quando nada mais é crível Já não espera que o ajude o Onipotente invisível.
Atravessa a noite em claro e madruga inopinado, Em vista do desamparo d'estar à morte fadado, Mas não viver d'ela ignaro... E Deus, onde tem estado? Aquele ilustre e preclaro, que nunca fora encontrado!
O sol nascia no horizonte quando vira sem querer Na luz que dourava o monte uma epifania haver, Também se lhe ardia a fronte ou se não podia ser Que uma luz na luz desponte Para que O pudesse ver.
E então vê por toda parte àquele lume santo a esmo! Tudo em volta jaz, destarte, como se ouro n’outro sesmo. Mas, haja quanto houver de arte em derredor d’ele mesmo, Dentro de si se reparte em mil partes de si mesmo.
Seja como for, contudo, Deus fez lá sua morada. Ali, boquiaberto e mudo, Vê a terra iluminada... Vê cada coisa a miúdo sobretudo, outra jornada; N'esse nada que é tudo... na quietude em meio ao nada! Galileia - 10 12 1994
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