
Ausência
Data 30/08/2016 00:16:22 | Tópico: Poemas
| Se tens que julgar-me pelo que eu fui e o que sou agora, eu te peço: Seja breve , pois não suportaria a angústia das horas. Vê, ó amada: as palavras secaram no céu da minha bôca E não sei o que dizer, exceto, que te amo. E, se isso não te é suficiente, perdôe o engano, a mesquinhês, tua espera vã por alguns pobres versos meus, por este sorriso, que já foi sol de primavera, e por este olhar, que foi a aurora de todas as manhãs. É que agora, são só traços de fumaça envôltos no ar rarefeito de minha existência fatigada. Perdoa-me, pois sou qual estéril poeta, sem a luz das fantasias e órfão do brilho das palavras retidas na garganta. E não adianta ,a gente é o que sente ! Vê o mar largo de tempestades ? ora gritando, ora calado; ora agitado, ora silente , como se não estivesse alí ? Pois, sou o mar e suas dôres . Porquê não me vês assim ? Algumas vezes sou turbulência, noutras, sou toda a ausência de mim.
|
|