
"Silêncio no Olimpo"
Data 26/08/2016 23:38:51 | Tópico: Crónicas
| O que era breve, findou: As bolas na areia As redes no meio Os saltos no ar As flexas no rumo Os tiros no alvo...! No caminho de obstáculos, cavalos e cavaleiros incólumes. Na arena de cordas, punhos e golpes tingidos de sangue e de dor, clamaram os louros da vitória e gemeram o fardo da derrota. Nas raias de concreto e de grama, de areias e de águas, fez-se o clamor universal, unânime, gritando “vivas” aos hodiernos e insaciáveis gladiadores.
Agora,porém, passados os combates dos homens e das sombras, os gritos e os fogos de artifício jazem no silêncio. Os pódios e as glórias gritam no vazio pois já não há quem os ouça. Os passos silentes, As mãos recolhidas, Olhares fechados, Os gritos calados, O pranto engolido O riso ocultado, Os golpes cessados, A dor reprimida rumina a derrota de insitência atróz.
Os breves raios de sol se escondem e as gotas de chuva o fogo apaga. Arrasta consigo o último golpe, a dança derradeira, o salto final para o outro lado da História, para além do borburinho efêmero das multidões e dos desventurados deuses de fumaça que brincam e jogam no tabuleiro das vidas humanas.
Á nós, mortais, cabe o querer, o desejar, reclamar o legado, direito nosso de cada dia, da saúde sem filas, do estar seguro sem cercas, do praticar o ofício que tem o pão como recompensa, do vislumbrar horizontes, do abrir do futuro as portas. Nós, que os olhares do pódio não merecemos, Nem o pulsar das glórias terrenas, Nem o sorriso do gigante das águas ou um aceno cordial do vento de passadas largas. Se o futuro não espelhar-nos essa grandeza, ou não abrir-nos os horizontes, tudo o que foi celebrado: a tocha em fogo, os “vivas”, os pódios, os fogos de artifício e os olhares do mundo, resultará inútil. Se o povo, nascido do ventre desta terra não colher os frutos, se não houver como enxergar o amanhã de tempo novo para a pátria mãe, pátria amada , Brasil.
Pois, agora, o vazio grita ao fogo ausente, como á fazer a última chamada. Agora, são só o eco dos gritos das vitórias e do pranto das derrotas, espectros do Olimpo dos falsos deuses da breve alegria, que respondem: “ Presente “!
Este texto, de minha autoria,é uma alusão crítica aos Jogos Olimpicos no Brasil, cuja realização teve reprovação da metade da população, face a situação crítica que vive o país.
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