
O MEDIDOR... CAUSAL!
Data 04/03/2008 14:07:43 | Tópico: Textos -> Esperança
| Em um passado remoto, o Criador nos punindo, determinou: “Ganharás o pão com o suor do teu rosto”! Desde então, o homem teve que trabalhar para o seu sustento. No princípio, as terras eram vastas e todos podiam explorar livremente a agricultura e a pecuária, porém, aos poucos, os mais espertos foram tomando conta do terreno e dos próprios irmãos, surgindo, daí, os menos favorecidos servindo aos outros mais esclarecidos mentalmente ou, monetariamente, sem que isso significasse em falta de capacidade funcional do que servia. Hoje... O automatismo das máquinas foi minando o trabalhador e os diminuindo na oferta de trabalho, em detrimento dele e de seus dependentes. O mercantilismo foi corroendo a mão de obra menos qualificada que, embora andando como os ponteiros dos segundos, o faziam sessenta vezes menos do que o minuto a dispor dos patrões, entretanto, os patrões, girando na órbita do lucro, também percorriam sessenta vezes menos que a hora à disposição dos empresários poderosos e, às vezes, internacionais. Necessário seria que os nossos dirigentes atuassem como um relojoeiro, para fazer a distribuição de trabalho e lucro em equidade entre a hora, minuto e o segundo, ocasião em que, o lucro imenso sendo dividido, sobraria o suficiente para todos, entretanto, não atuando! O Governo permitiu a exploração do empregado humilde e, pior! Com a cibernética, eles foram perdendo o emprego para as máquinas e para outros iniciantes, estes, recebendo salários menores do dono da “hora” e do “minuto”! Com o passar do tempo, a ferrugem do descaso foi emperrando os ponteiros dos segundos, transformando os trabalhadores em meros camelôs de bagatelas e fazedores de pequenos serviços que lhes dão apenas o suor sem o ”Pão“... Para acabarmos com essa situação grave é necessário: Desempilhar, desencalhar, esmerilar, desempoçar, desempoleirar, desencabeçar, dissuadir e, acabar com o... Desemprego! A SOLUÇÃO... > Tirar da pilha todos os documentos relativos ao trabalho, empresas etc. Que existam estagnados no Congresso, se necessário, trocando os nossos representantes. >Retirar o pó das mentes dos dirigentes, em beneficio dos trabalhadores que são a mola mestra do país. >Mergulhar ao fundo do poço à procura de soluções fáceis e rápidas para o desemprego, sem nenhuma perda de tempo ou promessas vãs, já que o estômago vazio descompassa os ”segundos” também em prejuízo das “horas” e, dessa forma, dos patrões. > Descartar dirigentes que se apegam ao poleiro do poder usando às suas garras para o continuísmo, sem utilizarem do discernimento e da compaixão para a solução dos problemas dos sedentos “segundos”. > Mudar a escolaridade dos desempregados e seus futuros colegas de amargura, convencendo-os a se aprimorarem na profissão, para o confronto com a máquina aliada a maus dirigentes que não decidem o correto para eles. >Finalmente, que os desempregados se aliem aos que estão pendentes de demissão e se armem com as suas ferramentas de trabalho e, nunca, com a violência! Procurando um bom relojoeiro que diminua a distância entre os “segundos” e a “hora” praticando a real distribuição da renda e do trabalho.
A seguir, um poema meu (inédito) alusivo ao texto:
O metalúrgico, no ferro se queimou, Mãos retorcidas, estômago... Carente! A usina sem compaixão o dispensou: À sua família, do luxo foi a... Indigente!
O lojista trêmulo a cortar tecido, Barriga vazia colada ao balcão, Recebe o “acerto” e é despedido Se afundando no palco da ilusão!
Pedreiros, demitidos pelos patrões, Só ficando alguns para o automatismo, No ventre, trazem grãos de feijões: Pra máquina... Óleo do continuísmo!
O motorista, diariamente, faz entrega, Por vias de crucial congestionamento, Mas, o patrão, para não fugir a regra: Dispensa-o pra diminuir o pagamento.
O professor! Que já foi nome de avenida, Sem livro, prédio, cadeiras ou pagamento, São exonerados pelo rinoceronte falida Da máquina do Estado sem enxugamento.
Desempoado e de jaleco, o engenheiro Sai dos estudos direto para o trabalho, Ao primeiro problema com o dinheiro, Perde a função e, na feira, vende... Alho!
Médico formado, com saber facultativo, Hospitais fechando... Fileira de doente! INSS lhes pagando consulta/donativo: De médico, também passa a... Indigente!
Os lavradores, que antes eram... Agricultores! Do vergel passou a morar no deserto, Bancos, em empréstimos, viraram tutores... Foram expulsos para a favela mais perto!
O lanterneiro retocava a lataria De veículos ainda em circulação, O desemprego trouxe a carestia E o seu labor virou... Crucificação!
A inflação habilmente escondida Esfarrapou o salário já minguado: A doméstica foi logo despedida. E o seu sustento, na pia... Desaguado!
Sebastião Antônio BARACHO. conanbaracho@uol.com.br
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