
Realidade desnuda
Data 06/08/2016 21:36:23 | Tópico: Poemas
| Era bonita, esbelta e tinha o corpo escultural, mas assoava o nariz fungando pelas manhãs, depois do primeiro cigarro com ar sensual, gritava como querendo acordar as irmãs.
Lânguida ainda deixava-se ir até a cozinha, espantava o cachorro que lá dormia no chão, retirava do fundo da pia as carcaças do galeto, suspirava ainda saudosa por meio amareto.
Lembrava dos comerciais que fez para a TV, com mais de trinta ainda chamava a atenção, mulher mais que interessante pós-balzaquiana orgulhava-se dos seios no decote em vê.
Apesar de suscitar no outros uma fantasia, sequer encontrava vestígios em torno de si, vivia alternando as várias crises de anorexia, e animados regabofes em nuvens de Givenchy.
Vez em quando sussurrava quase inaudível, querer mesmo tomar um banho erótico a dois, sentir alguém espalhando o xampu nos cabelos, vendo-se nua no espelho embaçado depois.
Queria beijos entre as espumas perfumadas, debaixo da água sentir-se intensa e queimada, tal fogueira que brotasse do chão molhado, a água quente dançando no corpo fartado.
Depois de fechada a torneira e cessado o jato, ajeitava os cabelos com uma toalha felpuda, sentava-se na cama a desfrutar do próprio tato, antes de abrir os olhos à realidade desnuda.
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