
Apenas humanos
Data 22/07/2016 20:33:19 | Tópico: Poemas -> Amor
| Quando o cérebro manobra as palavras num zénite obsceno, solta-se o hálito desse amor vernáculo.
Ele funciona como dopamina no sistema nervoso do olhar.
Ou como tónico suavizante da pele.
O elixir que alquebra o açúcar desejado ardilosamente pelo pensamento.
Diz-me a que soa o beijo quando a vontade de me ter se manifesta ao teu ouvido!
Conta-me em quantas gotas se decompõe a fragilidade da paixão quando me olhas!
Seleciona cada vocábulo e pronuncia-me as sílabas que a serotonina alberga para abalroar as tuas intenções!
Depois desata suavemente o laço que me cobre o ombro e descuida-me o rosto com a cor rubra do véu que tens nas mãos.
Abraça-me o tempo nu, pois não bastam os minutos que o relógio despreza.
Restam-nos os momentos que a verdade amarfanha e sairmos de nós, como num conto de fadas.
O castelo impõe-se no cimo dos montes e o coração sobe as escadas em caracol, tão lentamente que ainda não sabe gerir a saturação da privação.
Transgride a pena e cria as asas que Ícaro abandonou.
Serei o Dragão que queima os portões da razão… se secares o rio que transbordou as raízes aos meus pés.
Quero a palavra mágica que a gramática não pode mais corrigir.
Desafiemos o poema, como se a magia existisse e não fossemos apenas humanos.
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