NUM INSTANTE

Data 14/07/2016 10:11:56 | Tópico: Poemas

















NUM INSTANTE


num instante tudo fica tão frágil
como aquela tênue linha no horizonte
que se delineia no vazio dos nossos olhos
aplica-se o mercurio-cromo na ferida aberta
coloca-se um band-aid
e tudo que desejamos ouvir
e a voz da nossa mãe:"isso não e nada, vai passar"

mas há coisas que passam na vida
que ficam por dentro por muitas eras
curtidas no amargor da tristeza
lembranças tristes como a sinfonia de Rachmaniov
mãos ternas acariciando os medos
um grito que vem de dentro e quase assusta
e é maior do que todo o silêncio

como um cego atravessando a avenida com sua bengala branca
como uma borboleta que perde a asa num voo rasante
como uma formiga fazendo seu caminho entre gente grande
carregando sua folhinha verde com dificuldade
e em seus olhinhos mostra o horror de ser pisada
ou quando o telefone toca no escuro da noite
e o farol reluz em uma faixa assustadora através da Cortina

num instante tudo fica tão frágil
o amor grita e clama o desejo inconsciente
um espasmo no coração lembra-nos a fragilidade da vida
e as mãos se estendem em pedido mudo de clemência
mas o silêncio continua impenetrável
regendo a orquestra imaginária do medo
enquanto a esperança permanece incansável



*Mary Fioratti*





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