
O ALENTEJANO
Data 02/03/2008 20:01:34 | Tópico: Poemas -> Sociais
| Na planície semidesértica e quente Onde a dureza é pão de cada dia, Quanta angústia se expressa e sente Nos tristes cantes cheios de melodia.
Na alma carrega impressa desventura Que o persegue, negando-lhe o pão, Nas entranhas abafa sonhos de ventura De mágoas cheios e grande desilusão.
O sol aquece na charneca despida, Torrando a terra e tisnando o rosto, A razão verga-se ao peso da vida Na ceifa diária dum pão sem gosto.
Vitrais multicolores brilham no suor Do rosto tisnado pela acalorada estival, Mil brilhos reflectem o esforço e a dor Do amargo desespero dum mundo fatal.
Garganta seca e olhos lacrimejantes Regam a terra de ardentes fornalhas, Verga-o a fadiga e suores abundantes, Sonhando fartura, vencendo batalhas.
As palhas ceifa do trigo alourado, Enchendo de fardos o calcinado chão, A charneca fica com tom amarelado, Despida do trigo e envolta em solidão.
O alentejano sonha fugir à melancolia E esquecer as agruras e os dissabores, Luta com desespero, combate a agonia Na esperança futura de dias melhores.
Exausto e alquebrado pela dura labuta Olha com saudade a planície imensa O homem que não verga e persiste na luta De desbravar a charneca agreste e extensa.
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