
Devir
Data 11/07/2016 04:36:18 | Tópico: Poemas -> Introspecção
| esqueço das várias que fui aos poucos o devir vem brutalmente sem nitidez rasgando os espectros entorpecentes das possibilidades do infinito
sinto meu corpo desvanecer e reintegrar-se e lembro que o espaço é só uma questão de tempo um detalhe... minha mente existe
já imaginei que pudesse brincar com os anjos e tocar a placidez dos planetas com um sorriso e trazer a luz de um metal precioso nos gametas e declamar um poema incandescente com um só beijo... como um tapa na cara da morte e nos relógios atômicos que desenham as linhas de nossa humana imperfeição
houve um tempo que acreditei na indecência do céu e das estrelas... com tantas constelações não poderia haver tanta solidão e violência
desvencilhei-me de amarras e armadilhas escalei um poço escuro arrebentando as vísceras do tempo e deixando seus pedaços pelas pedras escorregadias...
não tive medo do desfalecimento do ser solucei de saber-me só em trilhas que pensara que só eu conhecia
reli linhas escritas displicentemente largadas no lodo como se valessem todos os choros como cartas indesejáveis sem destinatários pelas horas infatigáveis que impõem o seu próprio fim
temi perder meus pensamentos que fugiam não os tinha seguros quando tinha pensamentos demais
enamorei-me da paz do silêncio que mostra nuances invisíveis do impossível
enquanto decifrava imagens em mim indecifráveis vasculhava meu coração e sangrava aquela coragem absurda de acreditar e de sentir-se completamente minha...
sentir é um pequeno momento de lucidez amar é sorver-se e reencontrar-se no caos de ser várias ao mesmo tempo... de sermos nós no tempo que há
minha mente ainda resiste ao nada... meu coração ainda insiste em fazer morada no templo do infinito...
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