
Eu não tenho a alma covarde (Emily Bronté)
Data 07/07/2016 21:46:24 | Tópico: Poemas -> Introspecção
|  Eu não tenho a alma covarde, Pois frente aos vendavais, eu nunca tremo: O Paraíso brilha, arde, Como a fé, pela qual eu nada temo.
Deus, meu peito Te abrigou. Deidade poderosa e onipresente! Vida - que em mim repousou. Como eu - Vida Imortal - em Ti, potente!
Movem-nos o peito em vão Mil credos que não são mais do que enganos; Sem valor, brotos, malsãos, Ou a ociosa espuma do Oceano,
A pôr dúvidas num ente Pego assim pela Tua infinidade; Preso tão seguramente Na firme Rocha da da Importalide!
Como o amor de um grande enleio Teu espírito o tempo eterno anima, Para cima e de permeio, Muda, apóia, dissolve, cria e ensina.
Se a Terra e a lua findassem, Se não houvesse sóis nem universos, E se, só, Te abandonassem, Haveria existência em Ti, por certo.
A Morte não tem lugar, Nem pode um único átomo abater: És o Sopro mais o Ser Nada pode jamais te exterminar.
Emily Bronté (1818-1848), escritora e poetisa, autora de "O morro dos ventos uivantes". Este poema foi traduzido por Renata Cordeiro, e é considerado um dos maiores da língua inglesa, sendo o último que Emily escreveu em 1846. Nele há a sagrada presença do Divino, uma força que dá vida e guia toda a evolução e o desino.
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