
Falemos de flores
Data 01/03/2008 18:21:03 | Tópico: Poemas -> Surrealistas
| Falemos agora de flores, académicas flores. Graciosas flores.
Falemos então da delicadeza das amendoeiras (… e de mouras em espera). Falemos de laranjeiras nubentes ou talvez, do cheiro claro das tangerineiras (endémicas, aqueloutras, outras gentes), ou ainda, quiçá, das nogueiras róseas dali. [Um quadro exposto, um risco, um dissipado traço, outrora lírio branco e logo roxo].
Falemos de flores – limões ácidos em derribamento no terraço. [Reticulado o chão, a raiz e o quadrado da soma dos tempos, no tanque vertical do peixe doirado].
Falemos de flores, agora mais devagar, pausada, calma, lenta, lentamente. Pétalas suaves em queda e logo o baque, ciclónico movimento. Violentas flores! Aqui ainda existe um baloiço na noite de luar. Um açafate de espuma, um coral, um veio de luz em cesto de bruma. E um sono, e um sonho dependurado em cordas dérmicas ... de flores. Falemos de flores.
Vamos soletrar devagar a palavra amor.
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