AO CAFÉ

Data 03/06/2016 14:13:14 | Tópico: Sonetos

AO CAFÉ

Há quem finja não ver que está de pé
Sobre chão movediço e sob estrelas...
Anda como se nunca fosse às belas,
Ou visto um mal-de-amor de boa-fé.

Julgando que todo homem culpado é,
Não se comove com alheias mazelas,
Antes passa bem longe e arisco d'elas
Enquanto à rua vai rumo ao café.

Chega sozinho e senta junto à mesa;
Pede seu expresso, abre seu jornal
E faz seu desjejum habitual.

Escreve n'um caderno, olha a despesa
E abala sem dizer palavra a alguém,
No mais grave silêncio que convém.

Belo Horizonte - 03 06 2016


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