
Faz-me
Faz-me neste instante
penitente e algoz
as espumas de um mar revolto
faz-me
como bicho feroz.
E vindo de tão distante
que eu seja a faca cortante
da ferida que sangra
e me faça a doçura e a zanga
e nas trevas... o medo.
Na luz a ofuscação, faz-me um único desejo
um beijo, um abraço
um aperto de mão.
O calor do sol
um olhar sensível e maduro
e destrua este muro
que não me deixa ver o futuro.
Quando um dia eu vi o mundo
eu percebi
que nem tudo eram flores
e assim via a vida
eu escrevi
sobre amores e dores
a noite e o dia
um sonho...fantasia.
Mas tudo
eram apenas palavras
e não havia nenhuma ferida
como uma pedra
fria
e distante
como um lago de águas estagnadas.
Na penumbra de um final de noite
em um mundo
efervescente e inconstante
fez-se de mim neste instante
a alvorada
uma poeira no vento cortante
...um nada.
Sorriso de Rosas