
AGUDOS E BICUDOS
Data 27/02/2008 16:22:58 | Tópico: Poemas -> Introspecção
| Eu queria escrever em beleza Mas isto é uma tristeza Nem já os acentos conheço. Em papá não pus acento E lá para os lados de São Bento Foi o rir do meu tropeço.
Vou ecrever um poema! Mas que grande dilema... Poema, ele tem acento? Mas como posso eu fazer Se nem sequer sei escrever? Mas que grande sofrimento!
Acentos, há graves e agudos Ondulados e bicudos Como o acento circunflexo. Não sei onde os aplicar Será melhor abdicar Estou cheio de conplexos.
Vou esquecer minhas penas Não farei mais tristes cenas Será uma mudança radical. Meu destino é o desterro Lá rirei também do meu erro E que me valha São Marçal.
Estava ainda a R.D.P. Internacional, na rue de Sâo Marçal, escrevi um poema para o dia do pai a pedido do Senhor Mendes Callais, realisador desta Rádio. Escrevi, lembras-te quando me disses-te que eu ia ser papá? Esqueci-me do acento e escrevi papa. Brazão Gil, um excelente poeta, já falecido, leu este poema aos microfones e em vez de dizer papá, disse: lembras-te quando me disses-te que eu ia ser papa? Foi uma brindeira dos diabos, e então esrevi este poema a quem o enviei.
A. da fonseca
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