
O coro da Primavera
Data 20/03/2016 15:46:11 | Tópico: Poemas
| Pendurado num cigarro vagueante Na calçada iluminada pelo sol Calcorreio em passos lentos meditantes Escutando da fria brisa lembranças e memórias Trazidas em embrulhos coloridos Como os balões que fogem das mãos das crianças
Nas montras de vidro o reflexo de mim Não permitindo vislumbrar os artigos expostos Cuidadosamente colocados para chamarem a atenção Obrigando-me a prosseguir colado à sombra que me segura Sem qualquer direção definida ou escolhida
Chegado a um banco de madeira sento-me Não pelo cansaço ou sequer pela curiosidade De noutras sombras me rever Antes pela vontade de ver o Passado Desse jardim antes vivido e respirado
Conta-me esse variado colorido As tardes soalheiras cantadas, Os ritmos compassados de passos descansados, As forças de lutar, juntas as vozes numa voz, Reerguendo o corpo relaxado em decidida decisão De desse jardim perfumado pelas flores ser guardião
E já das sombras se levantam outras faces, Erguem-se os braços em entrelaços, Punhos cerrados numa canção, Decididamente em escolhida direcção Para aos abutres fazer frente, Gritando vorazmente o NÃO Qual rugido de leão, Levantando ainda mais a voz Dizendo BASTA!
Segurando um cigarro Retomo o caminho de regresso Não deixando o fumo tapar-me a visão Calcando as podres folhas ainda inertes Sentindo na brisa agora morna O refrão do coro das Primaveras Cantadas pelo Povo da minha Nação
Delfim Peixoto © ®
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