
Gaveta, luz, penumbra
Data 16/03/2016 18:34:15 | Tópico: Poemas
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Depois de chegar ao quarto dela reparei que o candeeiro estava tapado tinha um lenço vermelho como que para dar uma outra tonalidade à luz fazendo com que o ambiente se impregnasse de um odor a incenso provocando com que me libertasse das minhas roupas e me abraçasse fortemente
Escondendo na mão uma pequena chave, lentamente abriu uma gaveta retirando uma máscara de couro, pedindo-me que lha colocasse mantendo só um véu sobre o ombro esquerdo mostrando todo o resto do seu corpo provocantemente
Atirando-me sobre a cama percorreu o meu peito com a língua, descendo lentamente, molhando a minha pele, mordendo a minha carne, enquanto percorria com as unhas os meus braços beijando-me mordazmente
Chegada à torre do meu castelo desviou a viagem passando a vaguear nas minhas coxas, tocando no sino vigorosamente com as suas mãos sabendo que me faria sentir um herói regressado
Colocou a sua boca na taça cheia, lambendo os rebordos, beijando o pé conseguindo que as borbulhas se sentissem vivas sorvendo o néctar com prazer
Sentada sobre mim, qual cavaleira na pradaria, fazia com que eu olhasse o deambular dos sinos repicando ora lenta, ora rapidamente, suplicando que os tocasse como quem pega nos morangos
Julguei estar noutro planeta, vendo estrelas novas a brilhar fixando os seus olhos repletos de vontade de ser consumida rodando o corpo para procurar o anel caído no lençol de seda guiando-me para trás e fazendo com que a minha espada se embainhasse em óleos preparados na sua mais fechada entrada
Senti-me príncipe amante, deixando o seu corpo descair, virando-a para mim de frente sendo agarrado pela cabeça numa respiração ofegante cavalgando o caminho até sentir a explosão da sua fonte oferecendo no meu vigor a tão ansiada expulsão dos cristais que lhe guardei e enterrei no seu baú.
Madrugada de constelações, estrelas cadentes, Lua que corou de tantas convulsões
Delfim Peixoto © ®
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