
AUXILIARES DO PODER!
Data 26/02/2008 13:26:48 | Tópico: Textos -> Crítica
| Neste mundo narcisista, os Seres se digladiam à procura do apogeu, o fazendo, na maioria das vezes, calcando nos “andares de baixo” os seus auxiliares mais humildes, evitando, assim, que os acompanhem, lado a lado, até o patamar almejado. Os considerando, erroneamente, como transtornos ao seu deslocamento para o ápice, todavia, os explorando até o âmago, durante a trajetória pretendida. Ao derredor, toda a miscelânea da platéia, só admira o Poderoso na sua escalada aos píncaros, enquanto, no esquecimento com descaso, os seus ajudantes ficam, apenas, no labor sem a premiação merecida. Os Auxiliares, tal e qual, as ordenanças, só ficam no ostracismo, no entanto, apesar de secundários, estão, sempre, na defesa do Poderoso, ferindo a quem queira atacá-lo ou, belicosamente, Dele se aproximar. Quando ocorre falha na escalada ao auge, e o Poderoso vacila, o Auxiliar o acompanha esperando a derrota sem reclamar pela desdita. Unido ao Chefe, sabe da bancarrota iminente, sem reclames ou desespero, se sacrificando junto Poderoso que, na certa, fora subjugado por outros alpinistas que o sobrepujou destruindo! De poderio financeiro, didático e de boa apresentação, ambos, convivem no mesmo itinerário e espaço, o Poderoso difundindo o seu potencial agregado a Ele e, o seu ajudante, limitando-se a cumprir ordens, ferindo aos que lhe colocam obstáculos ao prosseguir. Durante a subida, o poderoso se dava ao luxo de amenizar o seu físico com a sua capacidade financeira, enquanto o Auxiliar, cumprindo ordens, o defendia ferindo ao agressor, porém, malgrado a chegada ao ápice pretendido, ficando na roda-pé da vida à espera do desenrolar dos seus destinos. Oh! Humanos... Desumanos! Raça Racional... Irracional! Por qual razão pisoteias os seus Auxiliares, frutos da mesma raiz, os calcando sob as suas botas para o “andar de baixo”! Ao em vez de dar-lhes as mãos, os amparando, para, juntos, galgarem o patamar pretendido?
Vocês deveriam espelhar-se no exemplo da Rosa e seus Espinhos, nos moldes do meu inédito poema, a seguir:
O ESPINHO E A ROSA!
O espinho é guardião Da rosa que o coroa, É considerado percalço Na proteção da flor.
Toda a admiração É dirigida a bela rosa, Enquanto no ostracismo, O espinho é esquecido.
Como a sua linda protegida É inerte ao todo movimento, Limita-se a ferir o incauto Que, ávido, toca-o na haste.
Quando o caule vai à jarra, Ostentando a linda flor, O espinho o acompanha... À espera da morte certa.
Interligados, irão morrer Na bela jarra de prata, Condenados pelo homem Que a tudo destrói em vão!
A rosa sempre perfuma a pele Enquanto o espinho arranha, Juntos, embelezam o jardim... Até que os Homens os apanhem!
De naturezas diferentes Convivem no mesmo caule, Um, perfumando o ambiente, O outro... Ferindo o invasor!
Sebastião Antônio Baracho. conanbaracho@uol.com.br Fone: (31) 3846-6567.
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