
Da janela
Data 29/02/2016 15:17:38 | Tópico: Poemas -> Reflexão
| As alvas nuvens vadiavam altaneiras Indiferentes ao matiz empalidecido da tarde que se ia aconchegando no quase breu trazido nos braços da noite…
Da janela escancarada aos sonhos, ela, nostálgica e fascinada, contemplava a mutação temporal, enquanto seus pensamentos tal como as nuvens, erravam por longínquas paragens sem rumo… num navegar sem vela, deixando-se levar à deriva… por vezes veloz, por vontade dos ventos outras, pela acalmia das brisas…
Talvez inconsciente, ela buscasse um porto de abrigo onde deixasse de sentir as amarras a que a solidão a tinha confinado…
A noite finalmente envolveu a urbe numa escuridão quase tenebrosa, assim se sentia sua alma acorrentada a uma tristeza que, talvez, só a alvorada libertasse.
José Carlos Moutinho
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