
Perto do céu
Data 25/02/2016 18:37:19 | Tópico: Poemas
| Porque o céu é lá em cima e o inferno é lá em baixo? Será que tudo o que é bom levanta a alma o que é mau até os ombros fazem descair ou estaremos enganados e tudo o que é lá em baixo é celestial, divinal, abençoado, apetecível?
Depende do ponto de vista afinal até porque há em cima taças de vinho quente, fontes de desejo que só se mata com um beijo
Estará o céu virado de frente o inferno será o que é escondido, traseiras, ou será o contrário, o melhor está guardado como o vintage vinho do Porto e na montra o vulgar vinho corrente que nem sabor tem?
Sei que ninguém quer ir parar ao inferno seja ele onde for ou estiver ansiando conquistar o céu mesmo que este esteja a arder
É esta a minha dúvida nessas nuances que me provocas querendo-me felino feroz ativo oura vez felino gato de rom rom
Aí me confundo não sabendo qual o caminho se para cima , se para baixo, se de pé, se deitado, se ajoelhado e fazes de mim um eterno indeciso que nem avança nem recua, se entra pela porta se pelo quintal
Atiças o meu dia, provocas as minhas noites acendes o fogo na madrugada acordas-me labareda alta pela manhã
Sei que não sabendo se o céu é em cima ou é em baixo em ti consigo descortiná-los separados mas se nenhum existe sem o outro não há céu nem pecados
Viver é uma bênção logo, em ti eu rezo obra de arte de Deus e só pode ser abençoada essa minha oração porque vinda do céu no inferno não pode ser orada
Afinal quem és tu? Oração vinda do céu ou praga rogada do inferno? Pareces anjo de asas de plumas brancas outras vezes vens sem elas, descoberta e fico na constante dúvida se caminho para cima , se para baixo, não sabendo a direção certa
Indubitavelmente irei abrir-te os meus braços se fores de baixo erguer-te-ei, se vieres de cima acalmar-te-ei sabendo que o céu em ti criarei cintilando o meu fogo em estrelas ou o frio que gelarei dizendo-te depois o que encontrei: se um anjo do céu se labareda pecado que apagarei
Mas sentirás em mim e de mim esses dois domínios certamente porque procurarei até ao fim ao que vens e porque vens acordar-me silenciosamente
Delfim Peixoto © ®
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