
às vezes
Data 18/02/2016 08:57:39 | Tópico: Poemas
| Às vezes, quando estou sozinho, sem que alguém me veja ou escute medito no que sou, no que tu és, acabando sempre por concluir que sou melodia, tu harmonia, sou poema, tu os versos, sou rio, tu o mar, e se nos comparo às mãos, sei ser a da esquerda, tu a direita, que só juntas compõem a música que é a vida, o amor, a paixão
Às vezes sinto ser chama ardida círio que acendeste e o fogo alimentaste, outras vezes sinto que és o sopro que a apaga colocando-me cegamente no escuro comprometendo a razão, ou até confundindo a emoção mas sei não ser essa a tua intenção, talvez só queiras que me deite a teu lado ao mesmo tempo, no mesmo minuto para sonharmos os dois esse sonho de ser feliz.
Às vezes, em silêncio, grito-te que te amo, outras vezes és tu que me segredas essas palavras dóceis, serenas, ternas fazendo com que me sinta ainda mais seguro do teu amor, da tua paixão, da tua existência
Pode haver frio ou vento lá fora, ou calor que a brisa não refresca às vezes sentindo-te manto de seda refrescante outras colando-te a mim pareces lareira que aquece
Às vezes, quando assim estou, sozinho, com as minhas mãos, nelas vejo os anos e dias que me viveste não conseguindo imaginar o que seria dos meus braços se não te tivesse para abraçar, ou para me segurar
Às vezes penso que o mais difícil irá ser o dia em que te falharei ou tu me farás falta e corro para junto de ti, sentando-me a teu lado, calado, imaginando o silêncio que virá um dia e da música já sinto saudade
Tudo é assim...
Às vezes brilha o sol, outras a lua branca, mas certamente brilhará sempre esse amor dentro de nós ainda que não vejamos a chama ou os raios de sol, ou o luar que juntos olhamos
Às vezes lembro-me que ninguém é de ninguém mas sempre queremos ser de alguém e quando te olho sei que me quiseste como sabes no meu olhar que sempre te quis
Delfim Peixoto © ®
|
|