
Rumo a Bizâncio (William Butler Yeats)
Data 09/01/2016 18:29:53 | Tópico: Poemas -> Intervenção
|  I Este país não é para velhos. Jovens Abraçados, pássaros que nas árvores cantam - essas gerações moribundas - Cascatas de salmões, mares de cavalas, Peixe, carne, ave, celebrando ao longo do Verão Tudo quanto se engendra, nasce e morre. Prisioneiros de tão sensual música todos abandonam Os monumentos de intemporal saber.
II Um velho é coisa sem valor, Um andrajo apoiado num bordão, a não ser que A alma aplauda e cante, e cante mais alto Cada farrapo da sua mortal veste. Nem há escola de canto somente o estudo Dos monumentos de seu próprio esplendor; Por isso cruzei os mares e cheguei À sagrada cidade de Bizâncio.
III Oh, sábios que estais no sagrado fogo de Deus Qual dourado mosaico sobre um muro, Vinde desse fogo sagrado, roda que gira, E sede os mestres do meu canto, da minha alma. Devorai este meu coração; doente de desejo E atado a um animal agonizante Ele não sabe o que é; juntai-me Ao artifício da eternidade.
IV Da natureza liberto jamais de natural coisa Retomarei minha forma, meu corpo, Mas formas outras como as que o ourives grego Em ouro forja e esmalta em ouro Para que o sonolento Imperador não adormeça; Ou em dourado ramo pousado, cantarei Para damas e senhores de Bizâncio Cantarei o que passou, o que passa, ou o que virá
(Tradução: José Agostinho Baptista) William Butler Yeats nasceu em 13 de junho de 1865, em Dublin, Irlanda, onde se desenvolveu em um meio culto e criativo. Poeta e autor teatral, Prêmio Nobel (1923) de Literatura. Foi o representante máximo do Renascimento irlandês e um dos escritores mais destacados do século XX."
Imagem: Castelo na Irlanda.
Imagem: Irlanda.
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