
MESA DE BAR
Data 03/01/2016 16:23:17 | Tópico: Poemas
| MESA DE BAR
Bebia à mesa perto da sinuca. Velho amigo se aproxima dedo em riste: -- "Mas tu?! Há quanto tempo! Tu sumiste... Uma mulher, decerto, fez-te a cuca..."
-- "Não! Sim. Talvez..." -- O suor lhe encharca a nuca -- "Não sei. De qualquer modo, foi bem triste. Um pandemônio! Foi... Não sei se ouviste. Tanto faz: O que não nos mata, educa!"
-- "Sinto saber. Pois é... Isto machuca, Mas passa. Ouvi que tu te consumiste, Dando a ela de tudo quanto existe!... Está ela a fazer-te uma arapuca?"
-- "Uma guerra total! 'Inda persiste." -- E o outro diz: -- "Exageras... Traz bazuca?" -- "Não! Ela é louca, mas não é maluca!..." -- E cala... -- "Como assim?" -- o amigo insiste --
-- "Louca de jogar pedra, de muvuca Ou de dar dado quanto eu lhe conquiste. De quebrar o barraco; dar alpiste A bicudo que estúpido a cutuca..."
"Maluca? Ela, não!... Jamais a viste? Ela nunca e por nada já se encuca! Dormia em minha cama feito eunuca, E ia... Não importando quanto diste.
-- O que dizes?... A vida a vós consiste Em casa, a mais perfeita e má baiuca! Mas o tempo de escravos já caduca: És livre! A alforria conseguiste!!!
-- Quem me dera, meu caro, 'inda subsiste Toda sorte de males... Pururuca A leitoa em gordura na cumbuca!... Meu mal é viver tudo o que previste!"
-- Sim, recordo! Falei, não foi? Abriste A caixa de Pandora! Ora a batuca A esperança no fundo... Igual mutuca Zumbindo e zombando onde amaste e riste!..." --
-- "É bem isso... Mas caspa na peruca Não vira mandiopã!... Tu pressentiste.." -- Acende seu cigarro como a um chiste. Dá baforadas... Lança-se a bituca...
Betim - 03 12 2016
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