
Natal enganado
Data 23/12/2015 22:15:18 | Tópico: Poemas
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Nunca pensei que as nuvens não fossem mesmo de algodão. Vou deixar de perguntar por que o trenó vazio não chegou e voou levando as bochechas rosadas de uma lenda desde Cesaréia.
Não acho este mês bonito nem este um dia especial. A lua inquietante no céu logo mais à meia noite ninguém virá, nem irei a lugar algum.
Há muito já me esqueci dessa noite, estamos no verão não há neve nas noites de verão, apenas noites enluaradas e tranquilas nas clareiras das florestas.
Há muito me esqueci dessa noite sempre vereei rostos cansados semblantes pálidos como as faces lívidas de todos as felicidades mortas.
Não virá ninguém apenas máscaras, lanternas desnecessárias procurando pérolas ao longo da noite escura.
Sombras modeladas do passado agindo de forma irrevogável não ouvem ninguém cantando, sequer sinos tocando em algum lugar mesmo quase imperceptíveis
Há muito já me esqueci dessa noite, logo mais à meia noite, ninguém virá, nem irei a lugar algum. Só os mesmos fantasmas cansados de admirar raios do sol entre a fumaça das chaminés das fábricas caem em si confessos que há na minha terra o natal enganado.
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